sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

BUSCANDO A COMPREENSÃO

Se nós perguntássemos qual é a sua maior preocupação no momento você saberia responder? Quais são as suas perspectivas para o futuro e qual é o seu maior sonho? O que mais te assusta? Quais são as angústias que você carrega no seu íntimo? Você costuma pensar no futuro? Você planeja coisas simples para serem alcançadas em um curto período de tempo ou prefere traçar objetivos mais grandiosos que demorem mais para serem realizados? Quem você inclui em seus projetos? Qual é a sua dúvida em relação à vida? Como você costuma reagir diante de alguma dificuldade, mantém a calma ou fica desesperado? Qual é a sua atitude quando descobre que foi enganado por alguém que você acreditava e confiava muito? O que você sabe sobre a política brasileira é o suficiente ou quase nada?

Passamos boa parte de nossas vidas sem questionar determinados aspectos de nossa personalidade, sem conhecer verdadeiramente o nosso “eu” interior, sem saber do que somos capazes ou não de fazer diante de qualquer obstáculo que a vida apresente. Queremos conhecer o mundo, mas a realidade da qual fazemos parte e a nossa vida muitas vezes permanecem sendo grandes mistérios que nem sempre queremos (ou aprendemos) desvendar. Temos segredos que não somos capazes de revelar á ninguém. Aprendemos ao longo da vida que a melhor estratégia para ser feliz é não falar sobre coisas sérias, isto é, de política, educação, saúde e vários outros problemas sociais e econômicos, porque esses são alguns dos assuntos considerados “chatos”, que não queremos (ou pensamos não querer) que façam parte das nossas conversas diárias e de nossas constantes discussões. Infelizmente somos obrigados a agir sem saber por que agimos dessa ou daquela maneira, sem compreender as razões que nos fazem acreditar nisso e não naquilo outro. Somos influenciados de diversas formas a abordar assuntos banais (esse pode ser um deles), somos forçados a aceitar as coisas como elas são e estão, somos induzidos discretamente a permanecer parados diante dos problemas que supostamente não podemos mudar. E o que é necessário fazer para alterar a cultura da acomodação? De que maneira podemos impedir o bombardeio de assuntos pouco ou nada importantes que são disponibilizados nos vários meios de comunicação? Como selecionar o “trigo do joio” e evitar a “paralisia intelectual?”

Um dia desses enquanto aguardava ser atendido em um determinado estabelecimento, um amigo ouviu acidentalmente um locutor de uma dessas emissoras comandadas pelo governo, (rádios com autorização para funcionar) fazer a seguinte pergunta aos seus ouvintes: “Qual é o seu prato preferido?” Essa pergunta aparentemente inofensiva nos faz analisar sobre alguns dos problemas mais graves que atinge mais da metade da população brasileira; pobreza, fome, miséria e seus eternos paliativos. Isto é, os nossos representantes políticos tentam reduzir as injustiças sociais e o sofrimento do povo distribuindo as famosas (bolsa família, bolsa escola, cartão família “bolsa isso, bolsa aquilo” e por aí vai). É claro que essa estratégia faz parte do “jogo político”, que é mascarar a nossa realidade enganando as pessoas. Isto é, recebemos informações (nem sempre confiáveis) dos diversos meios de comunicação afirmando de acordo com os interesses dos que governam o país que a “fome” e suas consequências são desafios quase que superados dentro do Brasil. Será? Os dados estatísticos feitos por órgãos do governo tentam de todas as formas nos forçarem a acreditar que tudo está sob controle e que aos poucos estamos conseguindo eliminar esses e outros problemas. É isso que “eles” querem é disso que “eles” precisam, ou seja, manter a escravidão do povo através do “assistencialismo”, sem garantir as reais e verdadeiras oportunidades, e sem garantir as condições necessárias para que as pessoas saiam do atrofiamento financeiro e intelectual. Precisamos conhecer as verdades, compreender as realidades para conquistar nossa liberdade. Esse é o grande desafio!



Um forte abraço, Feliz Natal, Próspero Ano Novo e boa leitura!


Diretora: Valeria Ribeiro

terça-feira, 15 de novembro de 2011

BRASIL, PAÍS DE BOBOS!


Nossas observações têm nos levado a questionar alguns aspectos sobre a educação. Até que ponto as Escolas Públicas estão realmente “interessadas”, compromissadas e voltadas para os problemas e as dificuldades dos estudantes? Até que ponto o Estado tem como meta a superação do fracasso escolar e a valorização do professor? Até quando continuaremos elegendo e acreditando em pessoas que só pensam em lucrar e se beneficiar com a ignorância do povo? Até quando continuaremos assistindo e ouvindo aos programas televisivos e de outras mídias que só servem para nos manipular e passar uma imagem que não é real sobre educação e outros assuntos? Até quando seremos capazes de suportar o descaso, o abandono e a falta de respeito com a EDUCAÇÃO PÚBLICA?

Estamos levantando essas questões com o objetivo de mais uma vez tornar público esse assunto e possibilitar as discussões a cerca de um problema que vem afetando de forma violenta, cruel e covarde milhões de crianças e jovens pobres desse Brasil, ou seja, ENSINO PÚBLICO COM QUALIDADE ZERO.

Todos nós que somos “obrigados” a fazer uso das escolas públicas nesse país temos que fingir e acreditar no serviço que é prestado pelos profissionais do ensino. Temos que aceitar as mais diversas explicações dos professores sobre os motivos pelos quais os alunos não aprendem. Temos que entender as razões que os levam a ficarem deprimidos e descontentes com suas profissões. Temos que ouvir pacientemente sobre suas insatisfações com o trabalho, com o governo, com os alunos, com as famílias, com a instituição, com o Papa e com tantos outros setores e seguimentos da sociedade. E para tornar a situação ainda mais grave percebemos que um número expressivo de professores está no exercício de suas funções apenas pela “estabilidade” que a profissão oferece, ou seja, não gostam de estar em sala de aula, não têm a devida competência e arrumam vários motivos para faltar o serviço, prejudicando o aluno em diversos aspectos e atrasando o conteúdo que deveria ser dado dentro do prazo definido. Afinal de contas, os professores sabem que apesar de todas as dificuldades encontradas no ofício da profissão podem contar com as inúmeras vantagens oferecidas aos "concursados", isto é, aos funcionários públicos e sabem também que mesmo fazendo um péssimo trabalho jamais serão demitidos.

O que fazer? Como exigir e cobrar Qualidade Educacional? Como reconhecer o que não se conhece? Muitos pais e mães acreditam que educação pública de qualidade significa ter vagas nas escolas, apostilas (mal elaboradas e que não levam em consideração a realidade do aluno, diga-se de passagem), alunos devidamente matriculados, professores em sala, "orientação pedagógica", famílias presentes,(mas que não têm voz na escola), alunos que prestam atenção no que é dito (para repetir no futuro), distribuição de material escolar e a comida ou lanche servido na escola com o nosso dinheiro. Será que isso basta para que os alunos aprendam e desenvolvam a capacidade do pensamento crítico?
Devemos ressaltar que as salas sempre super lotadas das escolas públicas é um ótimo mecanismo que os governantes utilizam para impedir que o aluno se aproprie do conhecimento. Um verdadeiro absurdo uma grande sacanagem, principalmente com os estudantes, ensinar e aprender desse modo é HUMANAMENTE IMPOSSÍVEL.

Estamos cansados de um Estado omisso, isto é, que esquece e finge que o POVO não existe. Um Estado que tem como principal objetivo a propagação da violência e da ignorância, ou seja, o governo é responsável por inúmeros problemas sociais e infelizmente alguns diretores de escolas públicas colaboram para perpetuar essa situação, são coniventes e faz tudo aquilo que interessa ao Sistema, utilizando para isso práticas pedagógicas que não atendem as reais necessidades dos alunos,práticas que não ajudam a questionar as mentiras que o Sistema tenta nos impor, e não permitindo o estímulo ao raciocínio crítico. Impedem sutilmente a participação de pais e mães verdadeiramente compromissados com a escola e com capacidade de cobrar e exigir. E de certa forma estimulam nos professores as "Sindromes da Derrota e da Desmotivação". Pois é, Somos um POVO “mutilado” pelo Estado, somos um "país de bobos", ou seja, estamos sendo privados de NOSSOS DIREITOS e impedidos de exercitar a nossa CIDADANIA.
Alguns especialistas acreditam que a Educação Transforma e NÓS também acreditamos que a VERDADEIRA EDUCAÇÃO TRANSFORMA E LIBERTA, é por isso que queremos e vamos continuar reivindicando o DIREITO a um ENSINO PÚBLICO DE QUALIDADE. Merecemos o MELHOR e não as sobras que o Sistema tem para oferecer.


Um forte abraço e boa leitura!


TEXTO ESCRITO POR: VALERIA RIBEIRO

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

2012...ANO DE ESPETÁCULO CIRCENSE


Não temos a intenção de ofender e muito menos denegrir a imagem do circo, queremos apenas destacar algumas características que existem entre os dois espetáculos; A arte circense e A política no Bras
il. Tem mágica? Tem sim senhor! Tem palhaçada? Tem sim senhor!...

O circo já está armado e o espetáculo está prestes a começar, os palhaços, os mágicos, os malabaristas, os trapezistas, os domadores ‘manipuladores’ (nesse tipo de circo ainda existem domadores) prometem fazer uma grande apresentação. Está começando a busca desesperada e ao mesmo tempo desenfreada por votos, ou melhor, pelo “nosso voto”, pois o nosso voto provavelmente vai garantir a permanência do mau político que só sabe sugar as mamatas e também daqueles que pretendem estrear nesse show. Será que a mídia convencional, ou seja, os meios de comunicação tradicionais dominados pelos grandes chefes de Estado estão realmente interessados em mostrar a verdadeira face dos políticos sanguessugas? Será que estão realmente preparados para falar abertamente sobre essa questão? Ou teremos que assistir a tudo sentados e de forma passiva sem reclamar, aceitando e engolindo as mentiras e as enganações?

 Bom, com relação aos meios de comunicação que trabalham e agem para influenciar o povo (a votar em quem o sistema quer), talvez nada possamos fazer, mas ainda existem boas estratégias para nos defender, maneiras de nos tornarmos imunes a esse bombardeio que está chegando de todos os lados. Sabe qual é? Prestar atenção em quem já está no poder fingindo que trabalha e fingindo nos representar. Tomar cuidado com quem está pensando em entrar e que com certeza pretende ser mais um a nos sacanear. Até porque, se o salário dos políticos fosse de R$ 500 e pouquíssimos não existiriam parlamentares. O alvo principal, o lugar preferido dos políticos, o território mais bem frequentado em ano de eleição são as Comunidades, isto é, Morros e Favelas. São nesses locais que eles encontram as condições necessárias e o clima favorável para atuar e fingir que são bonzinhos e que só querem o melhor para os moradores. Todo cuidado é muito pouco, porque os políticos são ardilosos e sempre vão tentar nos convencer de todas as formas, que eles são a solução para os nossos piores problemas, que eles são do povo, que trabalham pelo povo, quando na verdade eles só querem se aproveitar dos cargos que possivelmente irão ocupar para enriquecer ás custas do sofrimento alheio. Mas, se olhar de perto vai perceber que eles são os nossos PIORES PESADELOS, são lobos em pele de cordeiro, pois, depois que conseguem se eleger; retornam de dois em dois anos com a cara de quem quer tudo e um pouco mais, dando tapinha nas costas dos moradores, posando e tirando fotos com as mães e suas criancinhas de colo (imagens sempre muito apelativas e comoventes), fazendo obras de maquiagem, oferecendo churrasco, cervejinha, promovendo festinhas e o restante da história você já sabe como é, pois a apresentação do circo se repete de tempos em tempos e aí começa tudo de novo.

Precisamos manter acesso os nossos sinalizadores, os nossos termômetros funcionando a pleno vapor para não nos deixar influenciar com o espetáculo circense. Quando eles começarem a surgir sabe-se lá de onde, perguntem ao possível candidato quais são seus projetos, o que ele pretende realizar para a população, de onde e como vai conseguir recursos para tornar realidade a sua promessa de campanha, enfim questione e busque informações em várias fontes a respeito da vida política do indivíduo. Preste bem atenção quem são as pessoas que estão apoiando os políticos, quem está investindo financeiramente na campanha. Conheça também os partidos políticos, conheça sua ideologia, ou seja, investigue quais são as principais ideias defendidas pelo partido. Escolha um candidato com a ficha limpa, isto é, que não tenha participado e nem esteja envolvido em nenhum escândalo político, e tampouco esteja respondendo processo ou tenha sido processado. Não se deixe enganar, não acredite em todas as promessas, lembre-se: grande parte do discurso é ilusão, pois nem sempre o que o candidato promete está em sintonia com o cargo que ele irá ocupar ou será possível realizar em um período de quatro anos.

Ainda acreditamos em tudo (ou quase tudo) que nos dizem e é exatamente dessa nossa crença que os governantes se aproveitam é isso que faz crescer a politicagem. O governo não quer que as pessoas sejam alfabetizadas politicamente, por isso que a educação pública é péssima, por isso que fecham e proíbem a existência de Rádios Comunitárias.

Então, respeitável público: Cuidado; pior do que está pode ficar!



                                                                         Um forte abraço e boa leitura!


                                                                    Diretora e Editora: Valeria Ribeiro

domingo, 25 de setembro de 2011

PROTEGER OU ESCONDER? EIS A QUESTÃO.


Certo dia, encontrei com uma grande amiga que há muito não via e falamos sobre diversos assuntos, conversamos sobre os filhos, trabalho, marido e principalmente sobre as questões sociais. Abordamos um dos temas mais polêmicos dos últimos tempos, ou seja, as Favelas e Morros da cidade do Rio de Janeiro e a difícil tarefa em fazer a integração entre os moradores das Comunidades e o asfalto sem que exista o preconceito. E é exatamente por isso que vamos tentar através desse meio de comunicação sensibilizar as autoridades, os governantes e a classe mais favorecida financeiramente a respeito de um desafio que afeta a todos. Vamos tentar manifestar o nosso ponto de vista em relação a esse assunto e quem sabe talvez sugerir propostas mais justas, coerentes e adequadas a nossa realidade social.

No início de século 20 por volta de 1904 o então Prefeito Pereira Passos criou um Projeto que ficou conhecido na época, como “bota a baixo’ que tinha como principais objetivos derrubar os cortiços, alargar as ruas e transformar o Rio em uma capital igual a Paris, sem pobreza e miséria por perto. É claro que os moradores desses cortiços se afastaram, mas aos poucos foram construindo novas moradias próximas desses locais, pois para realizar as obras seria necessário que pessoas trabalhassem. E adivinha de quem os idealizadores do Projeto acabaram precisando? Isso mesmo; dos pobres que eles estavam fazendo questão de esconder e camuflar. Segundo alguns historiadores os Morros da Saúde e da Providência foram gradativamente sendo ocupados por pessoas que precisavam e queriam estar próximo ao seu local de trabalho e das grandes oportunidades de emprego. E foi justamente com o crescimento dos Morros que cresceu também o preconceito e as políticas que estimulavam o fim das Favelas e a eliminação de seus moradores.

Durante o período do Governo Getúlio Vargas foi criado os tais “parques proletários” que eram conjuntos habitacionais para onde foram levados os pobres. Mas uma vez os políticos se recusavam a enxergar o óbvio e tentaram manter distante dos grandes centros e das áreas nobres o que eles consideravam uma ameaça e uma “aberração social”, ou seja, Favelas e seus habitantes.
Foi aí que surgiram as primeiras Associações de Moradores das Favelas, e o objetivo era evitar que os moradores fossem removidos (de forma arbitrária) para os parques proletários.

Infelizmente, o que temos observado é que os Morros e Favelas continuam sendo um grande problema para quem não admite a existência desses locais. Entretanto, o poder público precisa levar em conta a opinião dos moradores das Favelas e saber o que nós, Pensamos em relação à retirada das pessoas para lugares afastados dos grandes centros. E quando a residência estiver realmente em área de risco e que for necessário a remoção, é importante que haja por parte dos governantes uma negociação, um acordo que seja justo para ambas as partes, tanto para morador como para os políticos.
Os Moradores das Favelas têm o Direito de Escolher para onde querem ir e principalmente morar, essa é uma decisão que cabe ao cidadão e não ao Estado.
Os serviços prestados pelo governo não são favores e sim, uma obrigação e um direito da população. Não é justo despejar as famílias de suas casas depois de dez, vinte, trinta ou quarenta anos morando e ocupando o mesmo local para lugares no “meio do nada”. Até agora, o que temos visto é que os Moradores das Favelas têm sido tratados como cidadãos de quinta categoria. Intimidar, ameaçar e coagir as pessoas que moram nas Favelas não é uma atitude inteligente e tampouco é a melhor estratégia.  Ao invés de Transferir os Moradores para lugares distantes, ao invés de Empurrar o “problema” para regiões mais afastadas, ao invés de Esconder a pobreza, os governantes precisam encarar esse desafio com Políticas mais sérias e construir moradias aonde atenda aos interesses da população dos Morros. Dentro de algumas Comunidades encontramos condições favoráveis e espaço apropriado para construir casas ou prédios. E aí fica a pergunta: Porque não fazem?

Nossos valores, nosso modo de vida, nossas particularidades e nossa opinião precisam ser Valorizados e Respeitados, SEMPRE, pois somos nós que contribuímos muito com o crescimento desse país.





                                                        Um forte abraço e boa leitura!


                  
                                     TEXTO ESCRITO POR: VALERIA RIBEIRO

                           

segunda-feira, 18 de julho de 2011

EDUCAÇÃO PÚBLICA ATROFIADA


Nessa pequena abordagem pretendemos destacar e trazer á tona alguns dos desafios que ainda não foram superados e que por sua vez dificultam o ensino e a aprendizagem de nossas crianças e jovens dentro das escolas públicas. Além de fazer um levantamento de situações vividas dentro desse espaço, julgamos necessário também chamar a atenção para o atraso educacional na questão da aplicação dos métodos de ensino de alguns professores o que conseqüentemente torna o aprendizado pouco ou nada eficiente.

Para dar início, começamos com alguns questionamentos referentes ao nosso tema.
De que forma você avalia o ensino público? Quais assuntos ou temas devem ser tratados em sala de aula além do convencional? O que você enquanto pai ou mãe considera importante e acha que deve ser ensinado (também) na escola? Como é feita a aproximação entre o professor (a) do seu filho e você? Como você é tratado dentro do ambiente escolar? Você se sente respeitado pelo professor (a), diretor (a) e os outros profissionais da escola?

Acreditamos que algumas dessas perguntas a princípio irão ficar sem respostas, mas o nosso objetivo é estimular a vontade de questionar o sistema público de ensino tendo em vista as mudanças que precisam acontecer.
Mesmo sabendo que o Brasil avançou em termos educacionais ao longo desses últimos anos não podemos deixar de apontar alguns entraves que ainda insistem em permanecer vivos dentro do espaço escolar, sendo praticados diariamente por inúmeros professores.

Temos observado que grande parte dos profissionais da educação se sente desvalorizados por uma série de motivos; dentre eles destacamos os baixos salários, a árdua jornada de trabalho e a falta de prestígio social, ou seja, os professores não se vêem com tanta importância dentro da sociedade. Outras situações colaboram para tornar esse cenário ainda mais difícil, tais como; salas superlotadas; pais e mães ausentes (por não saberem como participar de forma eficaz) da educação dos filhos e quando tentam se aproximar desse universo eles são ignorados e colocados á margem; diretor que só sabe cobrar, mas que pouco faz para minimizar os problemas; os governantes que permitem algumas ações e proíbem outras, justamente para impedir que o poder saia de suas “mãos”. Esse conjunto de fatores colabora para deixar os professores cansados, amargurados, estressados sem paciência e sem estímulo, enfim, uma receita perfeita para o caos na educação, isto é, a qualidade do trabalho realizado pelo professor diminui e o ensino se torna desinteressante para criança e para o adolescente, porque o profissional passa a repetir as velhas fórmulas a utilizar os mesmos métodos dos anos anteriores sem levar em consideração as diferenças e as singularidades de cada criança.

Enfim, essas são algumas das atitudes que ainda prevalecem dentro de determinadas escolas públicas gerando a falta de respeito em todos os sentidos.

Essas questões nos fazem pensar a respeito da educação que queremos e como é difícil cobrar essa qualidade educacional, principalmente em nosso país, onde passamos a vida copiando e importando soluções que parecem milagrosas para os nossos desafios, sem pelo menos tentar entender os nossos problemas educacionais.

Precisamos criar maneiras para enfrentar as nossas dificuldades dentro da educação estudando propostas de acordo com os desafios do nosso dia-a-dia. Os professores precisam se aproximar mais das famílias e principalmente das crianças, mas não de forma autoritária, pois a comunicação existente entre esses “dois mundos” ainda é distante e baseada no poder que o profissional faz questão de mostrar de forma sutil, mas perceptível a um olhar mais atento. Precisamos fazer da escola um espaço vivo que saiba respeitar e valorizar o conhecimento que o indivíduo traz para dentro da sala de aula. O professor precisa sorrir mais, ouvir mais e acreditar mais no potencial das crianças; ajudá-las a superar as suas próprias dificuldades e oferecer estímulos para que elas não criem resistências ao aprendizado. O professor de hoje precisa saber se valorizar sem desvalorizar as outras pessoas, precisa estar consciente da sua importância dentro do contexto social e principalmente compreender que o fracasso da criança representa também o fracasso de toda uma sociedade.

Ser professor nos dias atuais não é fácil, mas o EDUCADOR consciente sabe que não deve desanimar diante dos obstáculos e sabe que pode contribuir de forma significativa na vida de milhões de crianças.



Texto escrito por: Valeria Ribeiro( diretora e editora do Informativo Fala Sério)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O LIXO QUE PRODUZIMOS E O MUNDO QUE QUEREMOS.

Começo esse artigo fazendo algumas perguntas. Seja sincero (a) e responda: Onde você deposita o lixo que produz? Nas ruas, nas encostas, nos terrenos baldios, no matinho atrás da casa do seu vizinho, nos córregos, ou nas caçambas? Você separa o lixo orgânico do lixo que pode ser reaproveitado ou reciclado? De que maneira você se relaciona com o meio ambiente?

A questão ambiental tem sido muito discutida nos últimos tempos, devido ás grandes concentrações populacionais, principalmente nos morros e favelas. Entr
etanto abordar esse assunto tem se tornado extremamente difícil, pois exigi dos meios de comunicação das instituições interessadas em defender o nosso meio ambiente e dos órgãos governamentais uma capacidade maior em elaborar discursos e ações mais eficazes para sensibilizar e elevar o nível de conscientização das pessoas. E tudo isso sem se tornar chato e cansativo.

No Brasil, 85% da população brasileira vivem nas cidades. Com isso, o lixo se tornou um de nossos maiores desafios. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 76% do lixo que produzimos é jogado a céu aberto, ou seja, são colocados em locais impróprios, sendo carregados durante o período de chuvas, entupindo os bueiros, derrubando as encostas e provocando em alguns casos desabamentos e mortes. Ainda de acordo com as informações do IBGE, cada brasileiro produz 1 Kg de lixo por dia, ou seja, se a pessoa viver 70 anos terá produzido em média 25 toneladas de lixo, agora multiplique essa quantidade pela população brasileira. Jogamos fora muito material que pode ser reaproveitado ou reciclado e atitudes simples podem contribuir para reduzir o impacto sobre a natureza e uma delas é realizar a coleta seletiva gerando renda para os catadores e protegendo o nosso meio ambiente. A educação ambiental é lei no país e ainda assim é pouco conhecida pela população no Brasil e também pouco discutida e trabalhada nas escolas. Se quisermos viver com mais qualidade de vida precisamos respeitar, cuidar e preservar o nosso planeta.

Outro grande desafio a ser superado, é com relação ao desperdício. De acordo com dados do IBGE 20% dos alimentos são jogados fora, 50% de nossa água tratada é desperdiçada e ainda por cima utilizamos de maneira irracional a nossa energia elétrica. Precisamos utilizar os nossos recursos de forma inteligente evitando o desperdício de água e luz além de aprender a consumir somente o necessário. Outro fator que precisa ser observado e que traz graves conseqüências é a criação da Lógica Consumista, essa lógica nem sempre é percebida pela maioria das pessoas. A Lógica é fabricada por meio das mensagens que são passadas diariamente através das propagandas nos meios de comunicação. Preste atenção; somos estimulados a acreditar que um determinado elétrico doméstico precisa ser substituído por outro mais moderno, ou seja, trocamos o que está funcionado por um produto mais sofisticado, mais avançado, agimos como verdadeiros ‘zumbis’, influenciados pelas campanhas publicitárias, sem se dar conta que o aparelho que foi substituído logo se torna lixo, que é descartado em áreas impróprias. Ocorre então, o desperdício de tempo, dinheiro e energia. Não estou dizendo que você não deva comprar aquilo que julga necessário para satisfazer a sua necessidade, estou apenas sugerindo que antes de você comprar um novo aparelho faça uma reflexão e verifique se aquele novo produto é realmente necessário e quais mudanças essa nova aquisição trará para sua vida. E lembre-se: o consumo racional precisa acontecer em todos os lugares independentemente da classe social e do lugar em que moramos. Valorize a sua comunidade jogando o lixo que você produz no local correto.


Texto escrito por: Valeria Ribeiro

COMUNIDADES SILENCIADAS


Até que ponto a democracia pode ser realmente exercida dentro de nossas comunidades? O que o Sistema pretende quando impede o direito de uma comunidade manifestar as suas idéias, opiniões e críticas? Será que Rádios Comunitárias derrubam aviões ou isso não passa de uma mentira para criminalizar as emissoras de pequeno porte? Por que um veículo de comunicação que beneficia a comunidade é impedido de trabalhar?
O editorial desse mês vem trazendo como tema para a nossa análise e reflexão o assunto; Rádios Comunitárias, suas principais características, sua importância para as comunidades, seus objetivos dentro de uma sociedade que se diz democrática e as inúmeras dificuldades que elas enfrentam para conseguirem a autorização do Governo.

O Rádio foi inaugurado no Brasil em 1922, com sua primeira apresentação realizada no Rio de Janeiro somente para os ricos. Os aparelhos foram comprados pelo Governo nos Estados Unidos e distribuídos aos “amigos” e logo que o Rádio se popularizou e as pessoas começaram a comprar o aparelho, ficou determinado que os canais fossem doados através de concessões pelo Governo somente aos “amigos”. É por isso, que até hoje só quem tem emissora de Rádio ou canais de TV são os “amigos” do Governo. E a partir daí para atender aos interesses dos “amigos” ricos e poderosos o Governo iniciou um processo de fechamento, apreensão de equipamentos e prisão dos responsáveis.

De acordo com a Lei 9.612/98 é considerada Rádio Comunitária a emissora que possui alcance limitado e restrito, com baixa potência, ou seja, seu transmissor deve ser de 25 watts, precisa ter a autorização do Governo para funcionar e que seja sem fins lucrativos entre outras restrições que foram criadas justamente para dificultar e impedir a utilização desse canal de comunicação por um determinado grupo social. No Brasil as Rádios Comunitárias só podem funcionar com a autorização do Governo Federal, ora, uma Rádio que tem como características um alcance limitado e com baixa potência não precisaria estar sendo necessariamente regida por leis federais, nesse caso os municípios poderiam ter plena autonomia para determinar e definir as regras para o funcionamento dessas emissoras. Ou seja, o que notamos é que as Rádios Comunitárias têm encontrado uma série de obstáculos e de exigências absurdas para que sejam legalizadas. Além da falta de interesse dos órgãos competentes, as emissoras também enfrentam as campanhas mentirosas e preconceituosas promovidas pelas rádios comerciais que dizem que “rádio pirata” derruba avião. O objetivo dessas campanhas é marginalizar e denegrir a imagem das Rádios Comunitárias, pois acreditamos que as grandes empresas de comunicação querem silenciar as comunidades por meio da repressão.

Outro ponto que merece um questionamento é com relação às definições que as emissoras Comunitárias recebem quando não têm autorização para funcionar, elas são automaticamente consideradas “piratas” ou clandestinas. E de acordo com a nossa percepção essa é uma forma preconceituosa de definir um meio de comunicação que tem uma importante função social dentro de nossas Comunidades. É possível considerar clandestino um meio de comunicação que possui endereço fixo e telefone?

O principal objetivo da Rádio Comunitária é divulgar notícias e idéias, promover o debate de opiniões esclarecendo e informando a Comunidade de maneira democrática. Essas emissoras conhecem as reais necessidades dos moradores, conhecem as dificuldades e é exatamente por isso que as Rádios Comunitárias conseguem se aproximar mais dos ouvintes e estabelecer vínculos com a Comunidade. A Rádio Comunitária é capaz de expressar a insatisfação de uma gente que exige respeito, valorização e dignidade. E o ato de manter uma emissora no ar sem autorização é movido pelo sentimento de JUSTIÇA SOCIAL. Pois uma Comunidade que pensa que questiona, que analisa que atua no cenário político é uma verdadeira ameaça aos poderosos, por isso fecham o nosso meio de comunicação e apreendem o nosso material de trabalho.

No dia 29/03/2011 a Rádio Comunitária Nova Divinéia foi silenciada de forma injusta e arbitrária. Tivemos o nosso material de trabalho apreendido pela Polícia Federal e pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) A nossa emissora existia e funcionava a quase nove anos dentro de nossa Comunidade e realizava um trabalho social, sem fins lucrativos e de utilidade pública. Seu maior objetivo era Democratizar a informação, esclarecendo e orientando as pessoas. A Rádio Nova Divinéia possuía um transmissor de 22 watts, isso significa que estávamos com uma potência abaixo do que é permitido.
Sem a menor possibilidade de interferência nas comunicações entre os aviões, entre a polícia, o exército ou nas ambulâncias, mesmo porque tudo isso funciona em outra faixa de freqüência.

As Rádios Comunitárias precisam ter o direito de funcionar sem tantas restrições, sem tanta burocracia e principalmente sem perseguições. No Brasil, existem assuntos muito mais sérios e importantes para serem resolvidos do que impedir e proibir as Comunidades de ter o seu próprio meio de comunicação. E lembre-se: DEMOCRACIA NÃO SIGNIFICA OPRESSÃO.


                                                   Um forte abraço e boa leitura!
                                                                                    
                                                                      Diretora: Valeria Ribeiro



ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS PÚBLICAS. É REALMENTE NECESSÁRIO?


Estamos tentando entender o porquê do ensino religioso dentro das escolas públicas, tentando compreender as razões que motivaram a criação de uma lei que determina a necessidade de uma disciplina que trata das questões religiosas. E você, já pensou sobre isso? Já perguntou ao seu filho ou filha o que ele ou ela pensa a respeito disso? Que espécie de contribuição o ensino religioso pode realmente oferecer para uma sociedade que vem tentando a duras penas conquistar a liberdade de manifestar as suas idéias, as suas crenças, o seu pensamento e, sobretudo os seus interesses?

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, O ensino religioso constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental e é de matrícula facultativa devendo respeitar a diversidade cultural religiosa no Brasil.
Entretanto, o que temos observado é que apesar da lei declarar que o ensino religioso é facultativo, ou seja, não é obrigatório, o que vemos são escolas públicas desrespeitando a opção das famílias dando preferência a um determinado seguimento religioso que nesse caso, é a religião católica. Acreditamos que não cabe ás escolas públicas ensinarem religião até porque estaríamos ferindo um direito do cidadão, pois as instituições de ensino não teriam condições de abranger todas as religiões e nem tão pouco seriam capazes de oferecer aos alunos que não quisessem assistir ás aulas ou mesmo aqueles que não aceitaram nenhum tipo de doutrina outras atividades para substituir as aulas de religião.

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos a família tem competência para escolher a educação que deve dar aos filhos, e principalmente decidir qual a doutrina religiosa pretende seguir. Muitas vezes as famílias fazem a opção de omitir as suas preferências religiosas por saberem que serão automaticamente excluídos, sofreram perseguição ou serão alvos de “brincadeiras” de mau gosto e nesse caso elas decidem não revelar suas escolhas religiosas para não expor seus filhos.
Outro ponto que deve ser analisado é com relação a um dos principais objetivos do ensino religioso nas escolas públicas. Muitas pessoas acreditam que a religiosidade dentro do espaço escolar pode ser capaz de conter a indisciplina e até mesmo a violência, mas basta lembrar que várias guerras aconteceram por causa das disputas entre as religiões, as chamadas “Guerras Santas”. Sendo assim, o ensino religioso não pode ser usado como estratégia para reprimir ou frear comportamentos considerados anti-sociais. A indisciplina, a rebeldia, a agressividade e a violência não acontecem pela falta de religião.
Muitas vezes tais comportamentos são desencadeados pela falta de boas oportunidades, pela falta de respeito, pela falta de dignidade, pelas condições precárias a que estão submetidos parte da população brasileira. Enfim, são vários os motivos que podem interferir no comportamento humano. Portanto, as escolas públicas precisam aproveitar o espaço para tratar de questões que são realmente importantes. Contribuir na formação de pessoas autônomas, críticas e participativas, capazes de atuar com competência e responsabilidade na sociedade em que vivem.
Sabemos também que ser contra a educação religiosa dentro do espaço escolar pode ser considerado um absurdo e até mesmo um “pecado”, mas não podemos deixar de manifestar a nossa opinião em relação a um tema tão polêmico. Por isso, convidamos você, amigo (a) leitor (a) a refletir conosco sobre essa e outras questões que vamos abordar mensalmente aqui, no Informativo Fala Sério.
Um forte abraço e boa leitura!
VALERIA RIBEIRO