quarta-feira, 29 de junho de 2011

O LIXO QUE PRODUZIMOS E O MUNDO QUE QUEREMOS.

Começo esse artigo fazendo algumas perguntas. Seja sincero (a) e responda: Onde você deposita o lixo que produz? Nas ruas, nas encostas, nos terrenos baldios, no matinho atrás da casa do seu vizinho, nos córregos, ou nas caçambas? Você separa o lixo orgânico do lixo que pode ser reaproveitado ou reciclado? De que maneira você se relaciona com o meio ambiente?

A questão ambiental tem sido muito discutida nos últimos tempos, devido ás grandes concentrações populacionais, principalmente nos morros e favelas. Entr
etanto abordar esse assunto tem se tornado extremamente difícil, pois exigi dos meios de comunicação das instituições interessadas em defender o nosso meio ambiente e dos órgãos governamentais uma capacidade maior em elaborar discursos e ações mais eficazes para sensibilizar e elevar o nível de conscientização das pessoas. E tudo isso sem se tornar chato e cansativo.

No Brasil, 85% da população brasileira vivem nas cidades. Com isso, o lixo se tornou um de nossos maiores desafios. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 76% do lixo que produzimos é jogado a céu aberto, ou seja, são colocados em locais impróprios, sendo carregados durante o período de chuvas, entupindo os bueiros, derrubando as encostas e provocando em alguns casos desabamentos e mortes. Ainda de acordo com as informações do IBGE, cada brasileiro produz 1 Kg de lixo por dia, ou seja, se a pessoa viver 70 anos terá produzido em média 25 toneladas de lixo, agora multiplique essa quantidade pela população brasileira. Jogamos fora muito material que pode ser reaproveitado ou reciclado e atitudes simples podem contribuir para reduzir o impacto sobre a natureza e uma delas é realizar a coleta seletiva gerando renda para os catadores e protegendo o nosso meio ambiente. A educação ambiental é lei no país e ainda assim é pouco conhecida pela população no Brasil e também pouco discutida e trabalhada nas escolas. Se quisermos viver com mais qualidade de vida precisamos respeitar, cuidar e preservar o nosso planeta.

Outro grande desafio a ser superado, é com relação ao desperdício. De acordo com dados do IBGE 20% dos alimentos são jogados fora, 50% de nossa água tratada é desperdiçada e ainda por cima utilizamos de maneira irracional a nossa energia elétrica. Precisamos utilizar os nossos recursos de forma inteligente evitando o desperdício de água e luz além de aprender a consumir somente o necessário. Outro fator que precisa ser observado e que traz graves conseqüências é a criação da Lógica Consumista, essa lógica nem sempre é percebida pela maioria das pessoas. A Lógica é fabricada por meio das mensagens que são passadas diariamente através das propagandas nos meios de comunicação. Preste atenção; somos estimulados a acreditar que um determinado elétrico doméstico precisa ser substituído por outro mais moderno, ou seja, trocamos o que está funcionado por um produto mais sofisticado, mais avançado, agimos como verdadeiros ‘zumbis’, influenciados pelas campanhas publicitárias, sem se dar conta que o aparelho que foi substituído logo se torna lixo, que é descartado em áreas impróprias. Ocorre então, o desperdício de tempo, dinheiro e energia. Não estou dizendo que você não deva comprar aquilo que julga necessário para satisfazer a sua necessidade, estou apenas sugerindo que antes de você comprar um novo aparelho faça uma reflexão e verifique se aquele novo produto é realmente necessário e quais mudanças essa nova aquisição trará para sua vida. E lembre-se: o consumo racional precisa acontecer em todos os lugares independentemente da classe social e do lugar em que moramos. Valorize a sua comunidade jogando o lixo que você produz no local correto.


Texto escrito por: Valeria Ribeiro

COMUNIDADES SILENCIADAS


Até que ponto a democracia pode ser realmente exercida dentro de nossas comunidades? O que o Sistema pretende quando impede o direito de uma comunidade manifestar as suas idéias, opiniões e críticas? Será que Rádios Comunitárias derrubam aviões ou isso não passa de uma mentira para criminalizar as emissoras de pequeno porte? Por que um veículo de comunicação que beneficia a comunidade é impedido de trabalhar?
O editorial desse mês vem trazendo como tema para a nossa análise e reflexão o assunto; Rádios Comunitárias, suas principais características, sua importância para as comunidades, seus objetivos dentro de uma sociedade que se diz democrática e as inúmeras dificuldades que elas enfrentam para conseguirem a autorização do Governo.

O Rádio foi inaugurado no Brasil em 1922, com sua primeira apresentação realizada no Rio de Janeiro somente para os ricos. Os aparelhos foram comprados pelo Governo nos Estados Unidos e distribuídos aos “amigos” e logo que o Rádio se popularizou e as pessoas começaram a comprar o aparelho, ficou determinado que os canais fossem doados através de concessões pelo Governo somente aos “amigos”. É por isso, que até hoje só quem tem emissora de Rádio ou canais de TV são os “amigos” do Governo. E a partir daí para atender aos interesses dos “amigos” ricos e poderosos o Governo iniciou um processo de fechamento, apreensão de equipamentos e prisão dos responsáveis.

De acordo com a Lei 9.612/98 é considerada Rádio Comunitária a emissora que possui alcance limitado e restrito, com baixa potência, ou seja, seu transmissor deve ser de 25 watts, precisa ter a autorização do Governo para funcionar e que seja sem fins lucrativos entre outras restrições que foram criadas justamente para dificultar e impedir a utilização desse canal de comunicação por um determinado grupo social. No Brasil as Rádios Comunitárias só podem funcionar com a autorização do Governo Federal, ora, uma Rádio que tem como características um alcance limitado e com baixa potência não precisaria estar sendo necessariamente regida por leis federais, nesse caso os municípios poderiam ter plena autonomia para determinar e definir as regras para o funcionamento dessas emissoras. Ou seja, o que notamos é que as Rádios Comunitárias têm encontrado uma série de obstáculos e de exigências absurdas para que sejam legalizadas. Além da falta de interesse dos órgãos competentes, as emissoras também enfrentam as campanhas mentirosas e preconceituosas promovidas pelas rádios comerciais que dizem que “rádio pirata” derruba avião. O objetivo dessas campanhas é marginalizar e denegrir a imagem das Rádios Comunitárias, pois acreditamos que as grandes empresas de comunicação querem silenciar as comunidades por meio da repressão.

Outro ponto que merece um questionamento é com relação às definições que as emissoras Comunitárias recebem quando não têm autorização para funcionar, elas são automaticamente consideradas “piratas” ou clandestinas. E de acordo com a nossa percepção essa é uma forma preconceituosa de definir um meio de comunicação que tem uma importante função social dentro de nossas Comunidades. É possível considerar clandestino um meio de comunicação que possui endereço fixo e telefone?

O principal objetivo da Rádio Comunitária é divulgar notícias e idéias, promover o debate de opiniões esclarecendo e informando a Comunidade de maneira democrática. Essas emissoras conhecem as reais necessidades dos moradores, conhecem as dificuldades e é exatamente por isso que as Rádios Comunitárias conseguem se aproximar mais dos ouvintes e estabelecer vínculos com a Comunidade. A Rádio Comunitária é capaz de expressar a insatisfação de uma gente que exige respeito, valorização e dignidade. E o ato de manter uma emissora no ar sem autorização é movido pelo sentimento de JUSTIÇA SOCIAL. Pois uma Comunidade que pensa que questiona, que analisa que atua no cenário político é uma verdadeira ameaça aos poderosos, por isso fecham o nosso meio de comunicação e apreendem o nosso material de trabalho.

No dia 29/03/2011 a Rádio Comunitária Nova Divinéia foi silenciada de forma injusta e arbitrária. Tivemos o nosso material de trabalho apreendido pela Polícia Federal e pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) A nossa emissora existia e funcionava a quase nove anos dentro de nossa Comunidade e realizava um trabalho social, sem fins lucrativos e de utilidade pública. Seu maior objetivo era Democratizar a informação, esclarecendo e orientando as pessoas. A Rádio Nova Divinéia possuía um transmissor de 22 watts, isso significa que estávamos com uma potência abaixo do que é permitido.
Sem a menor possibilidade de interferência nas comunicações entre os aviões, entre a polícia, o exército ou nas ambulâncias, mesmo porque tudo isso funciona em outra faixa de freqüência.

As Rádios Comunitárias precisam ter o direito de funcionar sem tantas restrições, sem tanta burocracia e principalmente sem perseguições. No Brasil, existem assuntos muito mais sérios e importantes para serem resolvidos do que impedir e proibir as Comunidades de ter o seu próprio meio de comunicação. E lembre-se: DEMOCRACIA NÃO SIGNIFICA OPRESSÃO.


                                                   Um forte abraço e boa leitura!
                                                                                    
                                                                      Diretora: Valeria Ribeiro



ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS PÚBLICAS. É REALMENTE NECESSÁRIO?


Estamos tentando entender o porquê do ensino religioso dentro das escolas públicas, tentando compreender as razões que motivaram a criação de uma lei que determina a necessidade de uma disciplina que trata das questões religiosas. E você, já pensou sobre isso? Já perguntou ao seu filho ou filha o que ele ou ela pensa a respeito disso? Que espécie de contribuição o ensino religioso pode realmente oferecer para uma sociedade que vem tentando a duras penas conquistar a liberdade de manifestar as suas idéias, as suas crenças, o seu pensamento e, sobretudo os seus interesses?

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, O ensino religioso constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental e é de matrícula facultativa devendo respeitar a diversidade cultural religiosa no Brasil.
Entretanto, o que temos observado é que apesar da lei declarar que o ensino religioso é facultativo, ou seja, não é obrigatório, o que vemos são escolas públicas desrespeitando a opção das famílias dando preferência a um determinado seguimento religioso que nesse caso, é a religião católica. Acreditamos que não cabe ás escolas públicas ensinarem religião até porque estaríamos ferindo um direito do cidadão, pois as instituições de ensino não teriam condições de abranger todas as religiões e nem tão pouco seriam capazes de oferecer aos alunos que não quisessem assistir ás aulas ou mesmo aqueles que não aceitaram nenhum tipo de doutrina outras atividades para substituir as aulas de religião.

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos a família tem competência para escolher a educação que deve dar aos filhos, e principalmente decidir qual a doutrina religiosa pretende seguir. Muitas vezes as famílias fazem a opção de omitir as suas preferências religiosas por saberem que serão automaticamente excluídos, sofreram perseguição ou serão alvos de “brincadeiras” de mau gosto e nesse caso elas decidem não revelar suas escolhas religiosas para não expor seus filhos.
Outro ponto que deve ser analisado é com relação a um dos principais objetivos do ensino religioso nas escolas públicas. Muitas pessoas acreditam que a religiosidade dentro do espaço escolar pode ser capaz de conter a indisciplina e até mesmo a violência, mas basta lembrar que várias guerras aconteceram por causa das disputas entre as religiões, as chamadas “Guerras Santas”. Sendo assim, o ensino religioso não pode ser usado como estratégia para reprimir ou frear comportamentos considerados anti-sociais. A indisciplina, a rebeldia, a agressividade e a violência não acontecem pela falta de religião.
Muitas vezes tais comportamentos são desencadeados pela falta de boas oportunidades, pela falta de respeito, pela falta de dignidade, pelas condições precárias a que estão submetidos parte da população brasileira. Enfim, são vários os motivos que podem interferir no comportamento humano. Portanto, as escolas públicas precisam aproveitar o espaço para tratar de questões que são realmente importantes. Contribuir na formação de pessoas autônomas, críticas e participativas, capazes de atuar com competência e responsabilidade na sociedade em que vivem.
Sabemos também que ser contra a educação religiosa dentro do espaço escolar pode ser considerado um absurdo e até mesmo um “pecado”, mas não podemos deixar de manifestar a nossa opinião em relação a um tema tão polêmico. Por isso, convidamos você, amigo (a) leitor (a) a refletir conosco sobre essa e outras questões que vamos abordar mensalmente aqui, no Informativo Fala Sério.
Um forte abraço e boa leitura!
VALERIA RIBEIRO