domingo, 25 de setembro de 2011

PROTEGER OU ESCONDER? EIS A QUESTÃO.


Certo dia, encontrei com uma grande amiga que há muito não via e falamos sobre diversos assuntos, conversamos sobre os filhos, trabalho, marido e principalmente sobre as questões sociais. Abordamos um dos temas mais polêmicos dos últimos tempos, ou seja, as Favelas e Morros da cidade do Rio de Janeiro e a difícil tarefa em fazer a integração entre os moradores das Comunidades e o asfalto sem que exista o preconceito. E é exatamente por isso que vamos tentar através desse meio de comunicação sensibilizar as autoridades, os governantes e a classe mais favorecida financeiramente a respeito de um desafio que afeta a todos. Vamos tentar manifestar o nosso ponto de vista em relação a esse assunto e quem sabe talvez sugerir propostas mais justas, coerentes e adequadas a nossa realidade social.

No início de século 20 por volta de 1904 o então Prefeito Pereira Passos criou um Projeto que ficou conhecido na época, como “bota a baixo’ que tinha como principais objetivos derrubar os cortiços, alargar as ruas e transformar o Rio em uma capital igual a Paris, sem pobreza e miséria por perto. É claro que os moradores desses cortiços se afastaram, mas aos poucos foram construindo novas moradias próximas desses locais, pois para realizar as obras seria necessário que pessoas trabalhassem. E adivinha de quem os idealizadores do Projeto acabaram precisando? Isso mesmo; dos pobres que eles estavam fazendo questão de esconder e camuflar. Segundo alguns historiadores os Morros da Saúde e da Providência foram gradativamente sendo ocupados por pessoas que precisavam e queriam estar próximo ao seu local de trabalho e das grandes oportunidades de emprego. E foi justamente com o crescimento dos Morros que cresceu também o preconceito e as políticas que estimulavam o fim das Favelas e a eliminação de seus moradores.

Durante o período do Governo Getúlio Vargas foi criado os tais “parques proletários” que eram conjuntos habitacionais para onde foram levados os pobres. Mas uma vez os políticos se recusavam a enxergar o óbvio e tentaram manter distante dos grandes centros e das áreas nobres o que eles consideravam uma ameaça e uma “aberração social”, ou seja, Favelas e seus habitantes.
Foi aí que surgiram as primeiras Associações de Moradores das Favelas, e o objetivo era evitar que os moradores fossem removidos (de forma arbitrária) para os parques proletários.

Infelizmente, o que temos observado é que os Morros e Favelas continuam sendo um grande problema para quem não admite a existência desses locais. Entretanto, o poder público precisa levar em conta a opinião dos moradores das Favelas e saber o que nós, Pensamos em relação à retirada das pessoas para lugares afastados dos grandes centros. E quando a residência estiver realmente em área de risco e que for necessário a remoção, é importante que haja por parte dos governantes uma negociação, um acordo que seja justo para ambas as partes, tanto para morador como para os políticos.
Os Moradores das Favelas têm o Direito de Escolher para onde querem ir e principalmente morar, essa é uma decisão que cabe ao cidadão e não ao Estado.
Os serviços prestados pelo governo não são favores e sim, uma obrigação e um direito da população. Não é justo despejar as famílias de suas casas depois de dez, vinte, trinta ou quarenta anos morando e ocupando o mesmo local para lugares no “meio do nada”. Até agora, o que temos visto é que os Moradores das Favelas têm sido tratados como cidadãos de quinta categoria. Intimidar, ameaçar e coagir as pessoas que moram nas Favelas não é uma atitude inteligente e tampouco é a melhor estratégia.  Ao invés de Transferir os Moradores para lugares distantes, ao invés de Empurrar o “problema” para regiões mais afastadas, ao invés de Esconder a pobreza, os governantes precisam encarar esse desafio com Políticas mais sérias e construir moradias aonde atenda aos interesses da população dos Morros. Dentro de algumas Comunidades encontramos condições favoráveis e espaço apropriado para construir casas ou prédios. E aí fica a pergunta: Porque não fazem?

Nossos valores, nosso modo de vida, nossas particularidades e nossa opinião precisam ser Valorizados e Respeitados, SEMPRE, pois somos nós que contribuímos muito com o crescimento desse país.





                                                        Um forte abraço e boa leitura!


                  
                                     TEXTO ESCRITO POR: VALERIA RIBEIRO