sábado, 21 de janeiro de 2012

FALSA LIBERDADE OU LIBERDADE VIGIADA?


Para você o que é liberdade? Você se considera livre? Consegue fazer uso de sua liberdade do jeito que você gostaria? Iniciamos o texto com esses questionamentos com objetivo de tentar entender o que realmente representa para cada um de nós a palavra LIBERDADE e quais são as consequências para o POVO quando não obedecemos ao que está estabelecido e definido como verdadeiro e que é aceito dentro de nossa sociedade. Ou seja, o que pode acontecer com (algumas) pessoas que não obedecem a regras que são feitas por quem está no poder. Gostaríamos de estimular o seu raciocínio para que você possa criar coragem e buscar as informações necessárias em relação a esse tema. Como ser (totalmente) LIVRE dentro de uma sociedade que só espalha a mentira, a enganação e a CULTURA DA IGNORÂNCIA? Ou seja, como poderemos ter liberdade para falar do que realmente incomoda se a principal característica do lugar que moramos é a liberdade controlada pelos meios de comunicação chefiados pelos governantes que transmitem o que bem entendem, do jeito que querem e na hora em que decidem? Como falar sobre o que pensamos sem afetar os “planos” e as maracutaias dos políticos e empresários que só querem saber de seus próprios interesses tornando a vida do POVO cada dia mais insuportável?

De acordo com o filósofo francês Guy Debord a liberdade de escolher entre duas coisas ou mais que já estejam “prontas” é uma liberdade ilusória, ou seja, quando a pessoa “escolhe” ou (pensa que escolhe) aquilo que já está pré-determinado, isto é, que já esteja decidido por outras pessoas, não pode ser considerado verdadeiramente uma escolha consciente, ou seja, é uma falsa liberdade. Um governo que estimula e incentiva a corrupção, o medo e impede o POVO de PENSAR, AVALIAR e de QUESTIONAR tudo aquilo que é considerado desleal e injusto, não sabe respeitar a nossa liberdade, sendo assim, o governo acaba também dificultando o exercício da democracia. Precisamos estar atentos e impedir que os estímulos que recebemos diariamente através da televisão e do rádio e de outros meios de comunicação façam ‘a nossa cabeça’, ou seja, impedir que os programas idiotas que são exibidos nos meios de comunicação determinem a nossa maneira de pensar e de agir dominando as nossas mentes e comportamentos nos tornando cada vez mais aprisionados e sem condições de decidir o que realmente pode ser melhor para nossas vidas. Ainda segundo esse mesmo filósofo até a nossa forma de diversão é decidida por pessoas que pensaram por nós, isto é, a simples cervejinha que pensamos apreciar aos finais de semana por livre espontânea vontade já foi decidida por nós sem o nosso conhecimento. É incrível! Mas é assim que a coisa funciona, sem que a gente se dê conta, ou seja, é tudo muito sutil e quase nunca somos capazes de perceber porque somos uma sociedade composta de pessoas passivas de “Maria vai com as outras”. Aceitamos as “migalhas” que são distribuídas pelo governo, (‘bolsa esmola’) aceitamos a mentira, aceitamos a covardia, aceitamos os péssimos salários, aceitamos os programas imbecis, aceitamos escolas públicas sucateadas, aceitamos a corrupção, aceitamos que o dinheiro de nossos impostos seja desviado para o bolso dos políticos, aceitamos a violência, aceitamos hospitais públicos sem médicos, aceitamos políticos safados que aparecem em nossas COMUNIDADES para pedir o nosso voto e com a clara intenção de nos enganar porque passamos a vida acreditando que somos livres e donos de nossas vontades e decisões.

Karl Marx é outro filósofo que nos ajuda compreender um pouco melhor a questão da liberdade dentro da sociedade capitalista, onde os donos do dinheiro, ou seja, políticos e os grandes empresários restringem os nossos passos e “amordaçam as nossas ideias”. Ele diz que a liberdade do ser humano não pode verdadeiramente ser assumida por pessoas que não têm condições materiais. Ou seja, de acordo com o ponto de vista de Marx se a pessoa não possui salário decente que dê a ela condições de escolher entre ser atendida em um hospital público ou em um hospital particular, se a pessoa não pode escolher e decidir que seu filho (a) estude em uma escola particular ao invés de estudar em uma escola pública, se não pode escolher uma alimentação adequada, moradia apropriada, direito a lazer e a cultura e transporte público eficiente, enfim a população POBRE que não tem dinheiro para atender as suas principais necessidades, que não pode escolher e decidir o que quer, fica automaticamente impedida de fazer uso da tão sonhada liberdade. Certamente, para que possamos experimentar a liberdade de maneira mais ampla é necessário que os direitos sejam iguais e justos para todos e os nossos governantes precisam proporcionar qualidade de vida para todos, pois ‘eles’ são eleitos pelo POVO E MUITO BEM PAGOS PELO POVO PARA REPRESENTAR OS INTERESSES DO POVO.

Temos observado que os moradores dos Morros, Favelas e periferias (ainda) somos considerados pelo Estado como cidadãos de 5ª categoria, isto é, somos vistos como “coisas” ou objetos a serem manipulados, sem liberdade de ação. Ou fazemos o que o Sistema quer e do jeito que “ele” quer ou somos massacrados, aprisionados, oprimidos e ameaçados. Isto é, ou obedecemos às regras impostas pelos governantes ou somos punidos severamente. Para aqueles que obedecem sem questionar costumam considerar justos os castigos recebidos por aqueles que teimam em desobedecer, desse jeito o Sistema desarticula os grupos e impede o fortalecimento das camadas mais pobres e injustiçadas. Quem resolve fazer as coisas do jeito que considera justo acaba perdendo o pouco daquilo que até então era considerado liberdade, ou seja, o Sistema ‘engessa’ cada vez mais a pessoa e faz uso de um dos modelos que (pelo menos teoricamente) não existem mais, que é a DITADURA.

Por isso, é muito importante que nós, moradores dos Morros, Favelas e periferias continuem estudando, lendo, pensando, pesquisando e questionando a política, o sistema econômico, a educação, os programas de rádio e televisão que são comandados por políticos e que só servem para imbecilizar o POVO e adormecer o nosso raciocínio e a nossa inteligência. Só seremos capazes de fazer escolhas com (CIÊNCIA) quando as OPORTUNIDADES forem garantidas e disponibilizadas na mesma proporção, e de maneira JUSTA tanto para os pobres como para os ricos; a isso chamamos de: JUSTIÇA SOCIAL, CULTURAL, EDUCACIONAL e ECONÔMICA.







Um forte abraço e boa leitura!



Texto escrito por: Valeria Ribeiro

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"O MITO DA FAVELA"


Nossa abordagem tem o objetivo de tentar entender o comportamento e a relação que determinados grupos sociais estabelecem com o meio em que vivemos, ou seja, pretendemos utilizar o “O Mito da Caverna” para explicar a realidade da qual fazemos parte. O Mito é uma história que não estamos acostumados a ouvir e que são transmitidas de geração para geração. Mito é “uma palavra “de origem grega (mythos) e significa” história que se conta”. O Mito da Caverna foi escrito pelo filósofo Platão, ele conta que existia uma caverna separada por um muro bem alto onde viviam pessoas que nasceram, cresceram e ficavam ali acorrentadas de costas para a entrada da caverna não sendo possível ver nada do que acontecia lá fora, a não ser sombras de outras pessoas e animais que eram projetadas na parede no interior da caverna por uma fogueira que se mantinha acessa do lado de fora. Certo dia uma dessas pessoas que vivia acorrentada conseguiu se libertar enfrentou os obstáculos e com muita dificuldade escalou o muro e saiu daquele lugar escuro, sombrio e sem perspectivas de boas oportunidades.

Ao sair ficou admirada com todas as novidades, pois tudo era muito diferente do que estava acostumada a ver. Depois de muitas observações resolveu voltar á caverna e revelar aos seus companheiros que haviam ficado presos, todas as suas descobertas e contou a eles tudo o que viu. A pessoa estava tão entusiasmada que não se deu conta que ao falar sobre o que havia visto do lado de fora estava sendo ridicularizada e sendo considerada por todos os seus amigos uma pessoa maluca e além de tudo uma grande mentirosa. De acordo com Platão ao tentar alertar aos outros a respeito das importantes descobertas a pessoa cometeu um grave erro,ou seja, contar o que viu para pessoas que (ainda) não tinham condições de perceber determinadas coisas passou a ser um grande problema, pois ela passou a ser perseguida e encarada como possível inimiga dentro da caverna.

Nossa finalidade é estabelecer uma comparação entre a história contada por Platão e a nossa realidade. Desde que nascemos somos “acorrentados” a falsas ideias, a crenças, preconceitos, a comportamentos e atitudes padronizados para que fiquemos imóveis a espera de soluções mágicas vindas dos governantes. Somos estimulados a desacreditar em nosso potencial criativo, somos forçados a acreditar que não temos as condições necessárias para resolver os inúmeros desafios que são colocados (propositalmente) em nosso caminho. Tudo isso justamente para nos imobilizar e fazer-nos pensar que não temos os instrumentos adequados para gerar e administrar nossa liberdade. O Sistema cria armadilhas para manipular o que verdadeiramente acontece dentro de nossa comunidade. O que existe por trás daquilo que “eles” permitem que seja mostrado? Ou seja, o que há por trás da aparência inofensiva das novelas, filmes, desenhos, programas de auditório e humorístico? Esses programas funcionam como anestésicos da nossa inteligência, impedem o desabrochar de nosso cérebro e a nossa capacidade de raciocinar ao mesmo tempo em que garante os privilégios e as mordomias de uma cambada de políticos corruptos, safados e sanguessugas. Manter o POVO na ignorância significa manter o POVO na caverna, longe da verdade, excluído e cada vez mais distante da liberdade. Podemos e devemos tentar sair da escuridão que nos aprisiona através do conhecimento. Portanto, leia, ouça com atenção, pense, verifique, pesquise e questione sempre tudo que for transmitido pela televisão, rádio, revistas, jornais, internet, enfim, todos os meios de comunicação, (incluindo esse) e lembrem-se; é através da COMUNICAÇÃO que o indivíduo influencia e sofre influência. Por isso, aprenda a exercitar o pensamento crítico, busque as verdadeiras razões e causas de um determinado problema ou dificuldade que esteja acontecendo dentro ou fora de sua comunidade. Vamos pensar, agir e transformar a realidade da qual fazemos parte de maneira inteligente.




Um forte abraço e boa leitura!



Diretora: Valeria Ribeiro