terça-feira, 22 de maio de 2012
COTAS? PARA QUE TE QUERO?
Você sabe o que significa sistema de cotas? Quem tem direito? Qual é o seu objetivo? E porque foi criado? Inicio esse texto questionando o sistema de cotas; um projeto do governo que visa corrigir os efeitos das injustiças sociais sofridas por determinados grupos durante longos anos e que vem despertando muita polêmica dentro dos vários seguimentos da sociedade. É importante analisar esse assunto com um olhar mais atento para tentar compreender melhor os mecanismos que são criados para afastar as possibilidades de mudanças necessárias e urgentes dentro do sistema educacional.
As cotas raciais surgiram nos Estados Unidos nos anos de 1960 e tinham como principal objetivo fazer retroceder o racismo contra determinados grupos étnicos. Alguns estudiosos acreditam que o sistema de cotas ajudaria a minimizar os efeitos das injustiças cometidas contra negros e índios durante os anos de escravização. Diminuindo também as desigualdades e favorecendo a inclusão social de pessoas que se encontram á margem da sociedade. Embora, haja quem aposte nos bons resultados desse método, existem pessoas que duvidam da eficácia desse sistema, pois na verdade essa estratégia só serviria para impedir as reais mudanças que precisam ser feitas no ensino de base. No Brasil, esse assunto foi discutido inúmeras vezes até ser aprovado por quase todos os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) garantindo o direito a todos os brasileiros que se declararem negro ou índio.
É preciso levar em consideração alguns aspectos dessa política que favorece uns em detrimento de outros, ou seja, fazemos parte de um país que tem como principal característica uma grande miscigenação. Isto é, uma mistura de várias etnias, negros com brancos, índios com brancos, negros com índios... E por aí vai... Somos frutos de uma verdadeira mistura e essa combinação deu origem as nossas raízes, e as nossas histórias. É bem provável que essas miscigenações não tenham acontecido de uma maneira ‘aceitável’, ou seja, muitos desses ‘relacionamentos’ aconteceram de forma violenta, agressiva e que violava o direito das mulheres. Entretanto, o que de fato pretendo ressaltar nesse momento é a variedade de combinações étnicas da qual compõem a população brasileira. Ora, se vivemos em uma sociedade composta de pessoas mestiças, como fazer então para reservar vagas nas universidades para negros e índios? Quais serão os critérios que vamos utilizar para definir quem é verdadeiramente índio ou negro? Quem é o ‘puro’ negro e quem é o ‘puro’ índio no Brasil? Será que basta auto declarar-se, negro ou índio, ou seja, será que basta dizer que é negro ou índio para fazer uso desse direito? E quem tem a pele clara, mas um dos pais é negro? Notamos que o sistema de cotas é mais um ‘remendo’ na educação pública, é mais um paliativo para fazer de conta que o ensino público funciona quando na verdade todos nós sabemos que existe por parte dos políticos uma falta de interesse em promover a melhoria educacional.
A decisão já foi tomada e os governantes mais uma vez querem nos enganar e fazer com que as pessoas acreditem que o sistema de cotas, isto é, a reserva de vagas nas universidades é a solução adequada para um problema que atinge quem não recebe uma boa preparação. A meu ver TODOS NÓS SOMOS capazes de concorrer ou disputar as vagas disponíveis em ‘pé de igualdade’ desde que haja condições dignas e justas e escola pública com ensino de qualidade para todos. O governo precisa entender que não é a cor da pele, a textura do cabelo, o tamanho do crânio ou a largura do nariz que vão medir a nossa capacidade intelectual. Fortalecer a base, ou seja, o ensino fundamental e médio e distribuir as riquezas de maneira justa podem ser o caminho para a correção das desigualdades sociais, culturais e econômicas nesse imenso Brasil.
Um forte abraço e boa leitura!
VALERIA RIBEIRO.
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